quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Perú - Etapa IV



Depois da visita ao vale do rio Colca e do regresso a Arequipa mais uma viagem nocturna rumo à península de Paracas. Como tivemos de fazer uma troca de autocarro em Ica e tínhamos algumas horas livres aproveitamos para fazer uma pequena visita ao oásis de Huacachina

Deserto Costeiro do Perú - El Gran Tablazo
Trata-se de um oásis verdadeiro localizado mesmo à saída da cidade de Ica. Este local é habitado e com uma grande pressão turística com diversos hostels, restaurantes e promotores de actividades como o Sandboarding, aluguer de barcos ou passeios de buggy pelas dunas das redondezas.

Oásis de Huacachina


De regresso à estrada, chegamos a Paracas já ao final da tarde, começámos logo a preparar a visita às Ilhas Ballestas para o início do dia seguinte. Logo pela manhã fomos para o nosso barco e fomos visitar as Ilhas que estão integradas na reserva natural “Sistemas de islas, islotes y puntas guaneras” exactamente devido à sua exploração para extracção do guano das muitas aves marinhas que por lá se reproduzem. 

Ilhas Ballestas

Bando de Gansos patola peruanos Sula variegata
A duração total da visita foi de apenas duas horas, ainda assim foi possível observar várias espécies de aves marinhas como o pinguim de Humboldt Spheniscus humboldti (espécie vulnerável) e, por diversas vezes, alguns leões-marinhos Otaria bryonia

Bando de pinguins de Humboldt Spheniscus humboldti

Bando de Andorinhas do mar Larosterna inca

Fêmea de Leão-marinho com a sua cria Otaria byronia

Nesse mesmo dia à tarde visitamos a Reserva Nacional de Paracas com as suas magníficas paisagens, praias e património natural e fóssil. 

Praia e falésia na Reserva Nacional de Paracas


Praia de "Las Lagunillas"


Os três últimos dias de viagem foram dedicados a conhecer um pouco da gigantesca cidade de Lima. Uma cidade impressionante com um incrível serviço de transportes públicos que apelidámos de “Bus-metro” já que é uma espécie de metropolitano mas com autocarros. A zona central de Lima é, de facto, fantástica. Não se esqueçam de aproveitar a fantástica gastronomia que a cidade oferece nos mais fantásticos espaços e recantos.

Plaza mayor de Lima

Uma rua do centro de Lima

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Perú – Etapa III



Depois de uma brevíssima visita à Bolívia o regresso ao Perú com a viagem até à cidade de Arequipa, no sul do país. Esta cidade com cerca de 900 mil habitantes, tem uma zona histórica muito bonita e bem conservada com a praça de armas e a Basílica catedral como os locais em torno dos quais palpita a vida da cidade. 

Uma das ruas do centro de Arequipa
Foi esta cidade que serviu de base para a tão desejada visita ao vale do rio Colca, um vale que chega a atingir os 4150m de profundidade sendo o segundo mais profundo do mundo (o mais profundo é o vale de Cotahuasi também localizado no Perú). Para visitar este local podemos encontrar, na cidade de Arequipa, inúmeras empresas que oferecem este serviço com diferentes durações e preços. Depois de procurarmos mais informação e de falar com outros viajantes, acabamos por optar por uma visita de 2 dias (1 noite) com a empresa “Colca Trek” que, embora um pouco mais cara, foi a única que ofereceu um serviço mais personalizado sem as típicas “paragens para a foto”. 

Vicuña Vicugna vicugna (o animal nacional do Perú)

Saímos bem cedo de Arequipa a caminho da reserva nacional de “Salinas y Aguada Blanca” – a reserva nacional dos vulcões Ubinas, Pichupichu, Misti y Chachani. Apesar de, pelo caminho nos termos demorado com um grupo de “vicuñas” Vicugna vicugna que surgiram ao lado da estrada, ainda tivemos tempo para uma pequena visita a uma área da reserva com formações geológicas, semelhantes às chaminés de fada. 

Formações geológicas na reserva nacional de Salinas y Aguada Blanca

Seguindo em direcção a Chivay e mesmo com más condições meteorológicas, houve ainda tempo para diversas paragens em pontos de interesse paisagístico, natural ou cultural. 

Zonas húmidas de altitude na reserva nacional de Salinas y Aguada Blanca

Llareta Azorella compacta - Planta andina que pode ser encontrada entre os 3200 e 4500 metros de altitude

A dormida foi num agradabilíssimo hotel na pacata aldeia de Pinchollo com vistas para o vale do rio Colca. Na manhã seguinte, e após um óptimo pequeno-almoço, uma pequena caminhada ao longo do vale até ao miradouro da Cruz del Condor.

Vale do rio Colca

Vale do rio Colca

Daqui a Cabanaconde foi um breve e agradável passeio de bicicleta. 

Passeio de bicicleta até Cabanaconde
Sem tempo para fazer a descida até ao rio e voltar a subir (2 dias de caminhada) tivemos de regressar a Arequipa num autocarro público com o bónus de podermos ver os condores que nos tinham escapado durante o passeio.

Condor Andino Vultur gryphus (indivíduo imaturo)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Perú – Etapa II



Os autocarros nocturnos (night bus) são, sem sombra de dúvida, uma boa forma de viajar, sobretudo num país tão grande como é o Perú. É possível viajar de autocarro nocturno entre quase todas as cidades do Perú e com grande conforto, sobretudo se optarmos por lugares de “bus cama” nos quais os bancos se deitam quase completamente e fazem uma pequena cama. No Perú há 3 ou 4 grandes companhias mais reconhecidas que são as mais recomendadas não só pela qualidade do serviço mas também por questões de segurança rodoviária. Só viajando desta forma é possível adormecer nos Andes e despertar na floresta amazónia. 

Foi exactamente isso que nos aconteceu: Quando acordamos estávamos em Puerto Maldonado, a capital do distrito de Madre de Dios. 

O meio de transporte mais comum de Puerto Maldonado

Uma das ruas de Puerto Maldonado

Rio Madre de Dios
Uma banca do mercado de Puerto Maldonado

O objectivo desta visita foi o de conhecer um pouco melhor a floresta Amazónia, pelo que não perdemos tempo e fomos procurar formas de nos aventurarmos pela Amazónia adentro. 

Trilho na floresta

Optamos por uma visita de dois dias ao lago Sandoval parte da reserva nacional de Tambopata. Este lago é, acima de tudo, um local que convida à contemplação e reflexão num ambiente extremamente tranquilo sendo simultaneamente, um local cheio de vida. Logo à entrada do lago fomos saudados por uma família de lontras gigantes que, sem se aproximarem demasiado da nossa canoa nos acompanharam por breves momentos. 

Lago Sanadoval

Lontra-Gigante Pteronura brasiliensis

À volta do lago podemos encontrar selva primária e secundária e, por entre os trilhos disponíveis, podemos caminhar e descobrir, com alguma facilidade, várias espécies de aves, mamíferos, anfíbios, répteis ou insectos. 
"Tocon" - Titi Monkey Callicebus sp

Borboleta Julia Dryas iulia

Corvo marinho "Pato aguja"  Anhinga anhinga
 
Terminada esta magnífica experiência na selva apanhamos mais um autocarro nocturno e acordámos na cidade de Puno. Uma cidade plantada na margem do lago Titicaca a uma altitude de 3830 m.

Cidade de Puno
 
É do porto de Puno que saem os barcos para visitar as ilhas flutuantes de Uros. Apesar de estarem um pouco massificadas do ponto de vista da exploração turística, cremos que vale a pena uma visita. Estas ilhas são completamente artificiais sendo construídas com raízes de Totora (uma planta que existe no lago). 
Ilhas flutuantes de Uros

Os barcos, casas e diversos utensílios do dia-a-dia eram também construídos com partes destas plantas. 

Barco nas ilhas de uros

Desde Puno podemos fazer uma visita às ruinas pré-incas da necrópole de Sillustani junto ao lago Umayo. Um local tranquilo e repleto de história onde podemos conhecer um pouco mais da cultura Aymara. Apesar de não ser este o intuito deste blog não podemos deixar de aconselhar a Casa Panq’arani como um excelente local para ficar alojado em Puno.

"Chullpas" na necrópole de Sillustani

Lago Umayo
 
Aproveitando a proximidade fomos fazer uma visita à conhecida ilha do sol já do lado boliviano do lago Titicaca. A viagem de autocarro durou cerca de duas horas e a passagem na fronteira foi bastante simples e rápida. Partindo de Copacabana há vários serviços de barco que vos transportam até à ilha do sol. Por regra há uma paragem mais a sul e outra no norte da ilha. Podemos sair em qualquer das duas mas, por regra o que se faz é ir para a parte norte e caminhar cerca de 8 Km’s e voltar a apanhar o barco na paragem a sul. É uma caminhada muito bonita e desafiante com passagens muito perto dos 4000 m de altitude e com várias “portagens” já que há que pagar uma pequena taxa em cada uma das comunidades locais. 

Pequena baía da ilha do sol

Percurso pedonal que atravessa a ilha de norte a sul
 
PS: Nos passeios em altitude (e noutros) não esquecer o chapéu e o protector solar essenciais para evitar escaldões.